domingo, 24 de julho de 2011

Recados do Passado

Por vezes não dura, às vezes não passa e vulgarmente fica, na verdade nem sempre se ultrapassa. No fim de contas, fica a mágoa do desperdício de tempo e esforço, fica a tristeza de um fim, mas, fica, igualmente, as partes mais marcantes, os momentos mais solenes, os voos mais espantosos e os sonhos … sonhos que juntos alucinamos.

Cave a nós, seres de emoção, escolher as memorias que perdurarão sempre que lembremos desse nosso pedaço de vida. Pertence-nos esse direito, esquecer o lado mau e recordar o lado bom, ou o contrário. Perder tempo em ódios de estimação pode ser uma maneira, embora pouco sã, mas, é deveras uma maneira de lidar com a situação. É, contudo, constrangedor, pensar que um dia haverá um cruzamento, numa rua, num local ou sítio de significância comum. Será nessa altura que iremos decidir qual a nossa posição quanto ao passado em comum? Ou iremos sucumbir ao impulso de sentirmos tudo de novo e tentarmos voltar ao que éramos? Seria isso um erro? Não seria um erro?

Questões de retórica, ou não, à parte, em algo temos de concordar que seria um “momento” per si. Um espaço de tempo que nos faria desejar que não tivesse acontecido. Não só pelo seu carácter delicado, mas porque nos obrigava a ter de lidar com razões anteriormente esquecidas e enterradas, supostamente.

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